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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

TV Personalities - irreversivelmente bom.

Sempre que me referia aos TV Personalities, e em especial ao disco "Mummy your not watching me", associava a excelsitude de um disco Pop, daqueles em que a matriz está tão polida que é possível ver o rosto do nosferatu reflectida, banhado num recipiente cheio de ácido. Pode parecer à primeira vista uma associação mais que previsível atendendo ao passado farmacêutico de Dan Treacy, mentor dos TvP's. Mas tudo não passa do uso a avulso de uma analogia, talvez, fruto unicamente da música produzida pelo grupo, pondo de lado o uso e abuso de substâncias ilícitas.



Escutando "Mummy your not watching me" os nervos sensoriais são assomados por sentimentos díspares. Se podemos sentir algum conforto com o sunshine pop dos sixties degenerado num género (ou géneros) que ainda estava para ser inseminado, Twee ou C86 dizem eles. Sentimentos (o que referi anteriormente e os que vou referir mais adiante) esses que vão ganhando expressão em temas como "Where the rainbow ends" ou "Mummy Your Not Watching Me".


 Outros sentimentos, como o estremecimento, são provocados por uma amálgama de quietude orgânica, um híbrido de new age com psicadelismo esfarelado que se sente a cada passagem da agulha pelas estrias de "Mummy Your Not Watching Me".
Sintomas acicatados por composições muzakianas, como "David Hockney's Diaries" ou "Adventure Playground". Duas urdiduras sonoras capazes de instigar motins em espaços fechados. Resultado de uma cadência quase febril onde uma escaleta lança as quotas de destruição para cada amotinado.



Mas não pensemos que tudo é metafísico em "Mummy....". Já que também é nos posto à disposição músicas de corpo inteiro, com refrões orelhudos, "Paint by Numbers" é disso um exemplo. Tema que podemos colocar na prateleira do Powerpop ou mesmo do Mod Revival. Também há temas que alimentam a alma, "'Scream Quietly", consegue na perfeição estofar almas vazias e prepará-las para o difícil dia-a-dia.


O imaginário dos 60's televisivo, que tanto pode ir desde o "Doctor Who" ao "Captain Scarlet" é algo que circula pelo disco à mesma velocidade que circula as substancias ilícitas pelo sangue. Os pozinhos dos sixties surgem sob a forma de jingle de fecho de programa infanto-juvenil em "Lichtenstein Painting", ou "Brian's magic car", música com todos apetrechos para acompanhar um seriado de aventuras e desaventuras urbanas.



A catarse chega sob a forma de um amor perdido, "Where the rainbow ends". Registo que tem todo o direito em figurar numa colectanea romântica low budget, bem enfiada no meio do alinhamento, seria um tema que passaria bem, por engano do assistente de produção claro está, numa edição do "Oceano Pacífico" na RFM.


Já borrei a pintura, mas como falo na terceira enviusada pessoa, foi como tivesse sido outro a proferir tais encómios, volto mais tarde com um texto sobre o barroco pop.



Lisboa, final de tarde, Inverno de 2007, numa breve passagem por uma loja de discos, por entre muito lixo vinílico, deparo-me com "Mummy your not watching me", sim não estava em Excelente estado, muito menos em Muito Bom estado. Pode-se dizer que o disco adquiriu por osmose toda a acidez revigorante da música dos TV Personalities. Riscos que só por si dão valor ao objecto em causa (disco de vinil), num género de "quanto mais me riscas mais eu toco melhor", se fosse um disco dos Squeeze de certeza que a agulha do gira-discos saltaria do "Cool for Cats" para ir logo para "Up to Junction", mas como estamos a falar de Tv Personalities o disco segue o seu caminho impávido e sereno, abençoado disco.
 
 

segunda-feira, 13 de março de 2017

Wilko Johnson & Solid Senders 1980 Flexi-disc Promocional

O  primeiro assalto do Wilko Johnson e dos "seus" Solid Senders em Portugal, ocorreu em Lisboa em Fevereiro de 1980. O concerto decorreu no Pavilhão do Belenenses, na primeira parte estiveram os Xutos e os Aqui d'el Rock. Para promover o evento foi lançado um flexi-disc, algo bastante raro em terras Lusas. No Flexi-disc que teve forte apoio do programa "Rock em Stock" podemos ouvir Luis Filipe Barros e Rui Morrison a promover o concerto, pelo meio ouvem-se musicas do Wilko Johnson, como de um excerto de uma programa de rádio se tratasse. O Flexi-disc teve uma tiragem limitada, e é uma das raridades no que concerne às edições Rock New Wave Portuguesas. O 1º aniversário do rock em Stock seria comemorado uns meses mais tarde em Maio com a Lene Lovich como cabeça de cartaz. 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Raridade Monstruosa. "Star Rocker's" 1980 cassette

 
O regresso do achados arqueologicos, desta vez, uma cassette de 1980, que inclui os Speeds, com os dois temas do segundo single "She's gonna leave me". E as raridades não se ficam só pelos Speeds, porque a cassete inclui dois temas dos The Quads, temas retirados do single, "There's Never Been A Night"/"Take it" de 1979, single esse que nunca chegou a ser editado em formato vinil em Portugal. As restantes bandas que compoem a cassette são  do campeonato ska two tone, The Gangsters e Wide Boys e os The Chequers, e não Matthias, como está impresso no inlay, confusão derivado ao nome da editora, Matthias Records, tipica lei do menor esforço. De realçar que o single dos The Chequers também nunca foi editado em Portugal, por conseguinte mais um ponto a favor desta cassete. Além da turma do ska, também há lugar as bandas que não eram carne nem peixe, os Garbo (também conhecidos por Garbo Celluloid Heroes) com o seu Punk/glam fora do tempo, e os The Thrillers.

sábado, 4 de agosto de 2012

A colectanea do Kustom(e)...

Nota: Este disco não é aconselhável a pessoas insensiveis.

Uma colectanea íntitulada de "Coração & Estrelas" não inspira nenhuma confiança, é o que acontece com esta colectanea de 1982. Um disco pegajoso, pop/disco da pior estirpe que se possa imaginar, a razão pela qual escrevo sobre este disco, é que vem incluido no menu uma banda bastante rara de Powerpop, os The Kustom. Mas como não poderia deixar de ser, do single dos The Kustom, o tema eleito para figurar nesta intragavel colectanea foi logo o pior tema do unico single, "Let the girl dance", deixando nos curros o lado B,"Arrested"
, esse tema sim, merecedor de integrar um Powerpeals ou Shake Some Action. É escusado falar sobre as restantes bandas e músicos que integram esta lastimavel edição da Gira, não se escapa nada.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Discoberta, Metro e uma obsessão chamada Christine


Já falei dos Metro faz algum tempo, a razão pela qual volto a falar da banda é o que descobri recentemente que o single "Christine" de 1979 foi somente editado em Portugal.
 Mas o poder de Christine não ficou-se só pelo single, mereceu também dose dupla no Lp da banda, constituindo um erro de prensagem que torna peculiar a edição Portuguesa, assunto retratado anteriormente no blog.

Mais uma curiosidade relacionados com os Metro, é a edição Portuguesa do primeiro album dos Metro, de 1976, em Portugal já nos finais dos anos 70. Uma edição semi-oficial, deduzo que seja o termo mais adequado, visto que não há referência a nenhuma editora Portuguesa, a capa roça a indolência tipica de muitas edições portuguesas, pegar em capas já editadas e dar um tratamento primário, logo a foto da capa tem uma formação que não corresponde a formação que gravou o album, e ainda levou com a etiqueta disco. A banda ainda tocou em Portugal em 1979.

"Christine"

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Discoberta: Alberto Y Lost Trios Paranoias, o único single Português


Descobri recentemente que o single, o único, dos Alberto Y Lost Trios Paranoias editado em Portugal em 1978, tem algumas particularidades que diferem do single originalmente editado em Inglaterra. Logo a primeira diferença é que a edição inglesa é um duplo single, a Portuguesa é apenas um, a capa Portuguesa não é mais do que o interior do gatefold sleeve Inglês.
O single Português inclui as musicas do primeiro dos dois singles da edição Inglesa, lado A "Heads Down, no nonsense, mindless boogie", e no lado B "Thank You". O single foi editado pela RPE, que era a editora encarregue do catalogo da Logo Records.







Pegando no assunto da Rpe/Logo, existe outro single(ep 3 temas), editado em Portugal, Blazer Blazer, praticantes de outra sonoridade, NWOBHM, "Cecil B. Devine"não é um mau tema de todo, não sou grande adepto do NWOBHM, só me diz alguma coisa quando misturado com Punk ou Powerpop.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Discoberta: Sexy Covers


Capas com raparigas prendadas em poses sensuais é receita garantida. Nos anos 70 era pratica corrente, editar discos de qualidade duvidosa com capas apelativas, muitos dessas edições levavam ao engano os mais distraidos, porque eram discos de versões de grupos conhecidos, e muitas vezes só vinha referido que eram versões em letras minusculas.
Outro factor que permitiu a venda em larga escala deste tipo de discos, foi o seu preço, era sempre mais barato que o disco da banda original.

Portugal país de parcos recursos, não escapou a este tipo de edições, a editora Orfeu lançou muito destes discos. Desse lote, há dois discos que tem "algum" interesse, uma colectanea com os maiores exitos da new-wave da altura, embora o disco não venha datado, presumo que seja de 1979.

"Rock Hard" (cover da Suzy Quatro)
















Não se sabe quem é que gravou as versões, são um total de 11 músicas, versões dos Madness, Police, Rolling Stones, Blondie, Ramones e Suzy Quatro. O interesse reside na versão "Rock Hard", com uma roupagem punk-rock a lembrar Ramones, e a versão de "Rock 'n'roll High School" dos Ramones, que não difere muito do original, mas uns bons furos abaixo.

"Rock'n'roll High School" (cover dos Ramones)














Já o LP dedicado aos Blondie, é uma quase perfeita replica do original, então ao nível da voz é muito parecido com a voz da Debbie Harry. Sairam também uns singles com versões dos Blondie, Boomtown Rats.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Discoberta: Década 70, o som d'uma época

Esta "Discoberta" já tem um tempo, decidi republicar, acrescentado uma amostra sonora daquilo que tinha relato faz um ano.



A discoberta de hoje diz respeito a um disco que não tem música (isso tem interesse?), mas sim conversa, "Década 70" é um programa de rádio gravado num long-play(LP), onde o locutor vai relatando cronologicamente os acontecimentos mais marcantes, se em 1972 a Apollo 13 faz a suaúltima viagem à Lua, já em 1973 Breijnev visita os States, em 1976 o acontecimento relatado no disco é o PUNK: a nova música.


O locutor lança a noticia com uma frase enigmática "e há uma música nova", ouve-se de fundo o começo de "Holidays in the Sun" dos Pistols para passados uns 15 segundos o locutor rematar o assunto PUNK com esta frase "pedrada no charco, o Punk é um estertor de rebeldia juvenil, que a sociedade de consumo facilmente recuperará".

"Punk, Década 70"





quinta-feira, 4 de junho de 2009

Discobertas : Rock em Stock , o disco , 1º Aniversário 1980



"Rock em Stock" um programa de rádio que ficou no éter da história do rock em Portugal. A primeira emissão do "Rock em Stock" foi em Abril de 1979 , por isso este ano cumpre-se os 30 anos do programa. Um programa que tinha como timoneiro , Luís Filipe Barros (que tinha como epíteto , o "Berros") , foi um programa de rádio que conseguiu fidelizar muitos ouvintes , sequiosos por novidades musicais de lá de fora. Foi um programa de rádio que iniciou muita gente em estilos de musicas diversos , tais como , a new wave , o pub rock , o nwobhm .


O top do rock em stock , tornou-se num barómetro importante para o mercado nacional de discos , muitos discos tinha o patrocínio do programa , com autocolantes alusivos ao programa colados nas capas dos discos. Alguns discos alcançaram algum sucesso graças ao "Rock em Stock" , exemplos , o single dos Go Graal Blues Band "Touch me now".
Outros grupos saltaram do anonimato e tiveram alguma promoção radiofónica graças ao "Rock em Stock" , exemplo , os The VIP's , que tiveram algum tempo de antena , com o single "Quarter of Moon" , sucesso moderado que permitiu a edição de um segundo single em Portugal "Thing’s aren’t used to be ".


Em 1980 foi editado um duplo Lp "Rock em Stock" , que agrupava uma boa diversidade de bandas , que iam desde o powerpop , new wave , punk , nwobhm. Este duplo lp é algo a discobrir sem falta , pois tem registos únicos editados em Portugal , Little Bo Bitch como o seu powerpop viciante , o punk firme e eficaz dos The Monks e dos Buzzcocks , new wave synth dos Reducers e dos Berlin Blondes , o post punk dos Punishment Luxury , a new wave cosmo-ética dos Craze , o nwobhm dos Iron Maiden e dos Ethel the Frog.






The Monks - Johnny B Rotten


The Buzzcocks - Harmony in Head


Reducers - Airways


Gang of Four - Damaged Goods


Punishment Luxury - Puppet Life